MITOS QUE AINDA ASSUSTAM: Estão demonizando a mamografia? O que a ciência realmente comprova

Nos últimos anos, a mamografia passou a ser alvo de críticas intensas na internet e nas redes sociais. Expressões como “radiação perigosa”, “exame ultrapassado” ou “diagnósticos desnecessários” têm circulado com frequência e gerado insegurança em muitas mulheres. O problema é que grande parte desse discurso se baseia em recortes isolados da literatura científica ou em interpretações fora de contexto.

A mamografia segue sendo, até hoje, o único método de rastreamento populacional que demonstrou redução consistente da mortalidade por câncer de mama. Metanálises, técnica estatística que soma o resultado de vários estudos sobre o tema para obter uma conclusão mais precisa e confiável, e grandes estudos observacionais mostram redução de mortes entre 20% e 40%, especialmente quando o rastreamento é regular e associado a acompanhamento médico especializado, o mastologista.

Um dos argumentos mais citados contra a mamografia é o risco da radiação. Na prática, a dose utilizada no exame é muito baixa, comparável à radiação natural que uma pessoa recebe ao longo de alguns meses de vida. Não há evidência científica sólida de aumento significativo de câncer induzido em mulheres que participam de programas de rastreamento mamográfico.

Outro ponto frequentemente usado para desacreditar a mamografia é o chamado sobrediagnóstico (overdiagnosis). Sobrediagnóstico significa a detecção, por meio do exame, de lesões reais que crescem tão lentamente que não causariam sintomas nem colocariam a vida da paciente em risco ao longo de sua existência. É importante destacar que isso não é erro médico, não é falso positivo e não significa que o exame “cria doenças”. Esse fenômeno é conhecido e ocorre em todos os programas de rastreamento eficazes, não apenas na mamografia. Quando analisado de forma honesta e dentro do contexto correto, o sobrediagnóstico é limitado e amplamente superado pelos benefícios do rastreamento em grande escala, como a redução da mortalidade e a possibilidade de tratamentos mais conservadores e menos agressivos em estágios iniciais da doença.

Atualmente, alguns profissionais desaconselham a mamografia para todas as mulheres, sem considerar os riscos individuais de cada paciente. Esta abordagem generalizada ignora fatores importantes como idade, histórico familiar e outros fatores de risco específicos. Essa postura baseia-se frequentemente em interpretações incorretas de estudos antigos, leituras tendenciosas de diretrizes ou na confusão entre personalizar o rastreamento e abandoná-lo completamente.

A ciência não justifica a eliminação da mamografia, mas sim seu uso criterioso: indicar o exame para as mulheres dentro dos critérios estabelecidos, no momento apropriado e, quando necessário, combiná-lo com outros exames complementares.

Demonizar a mamografia não protege mulheres; ao contrário, aumenta o risco de diagnósticos tardios e tratamentos mais agressivos. O caminho responsável é a informação clara, baseada em evidência e mediada por avaliação médica especializada.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda a realização da mamografia de rastreamento anualmente para mulheres entre 40 e 74 anos de idade. Para mulheres acima de 75 anos, o rastreamento deve ser individualizado, considerando as condições de saúde e expectativa de vida de cada paciente. Essas diretrizes fundamentam-se na alta incidência e mortalidade do câncer de mama nessa faixa etária, bem como nos comprovados benefícios do diagnóstico precoce, que incluem a possibilidade de tratamentos menos agressivos, redução da necessidade de quimioterapia e radioterapia, e consequente aumento da expectativa de vida das pacientes.

Rastreamento não é ideologia nem medo, é decisão médica baseada em ciência, risco individual e contexto clínico.

Dr. Rodrigo Campos Christo
Mastologista/Cirurgião Oncológico/Oncoplastia Mamária

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